O segundo dia começou novamente cedo. Devo dizer que acordei a sentir-me mesmo cansado. As pernas já começavam a queixar-se. Inicialmente tínhamos planeado sair às 7h00, mas acabámos por sair às 7h30 e fomos diretos ao início do KV (quilómetro vertical). O trilho está todo marcado de Alvoco da Serra até à torre, é o PR14 SEI Rota do Pastoreio, mas sem GPS pode ser confuso, principalmente no início. Existem dois caminhos diferentes para iniciar a subida, sendo que nós optámos pelo que vai do lado esquerdo.
| Local onde os dois caminhos se juntam |
Já estava consciente de que ia ser uma subida longa, até porque no verão passado, ou seja, em 2021, já tinha feito esta subida. Apesar disso admito que me pareceu novamente interminável. Até digo mais, desta vez ainda me pareceu mais longa, provavelmente pelo facto da outra vez ter ido em treino de corrida e ter demorado menos tempo.
| Durante a subida |
Passo a passo fomos subindo e o que no início parecia que ia ser um desastre em termos de paisagens mudou completamente. No início o nevoeiro estava cerrado e começámos a pensar que não iríamos ter qualquer vista, mas ao olhar para cima começou a parecer que se viam uns rasgos de céu azul. Aos poucos e poucos o tempo foi abrindo até que a vista ficou espetacular, o que é sempre um incentivo para continuar a subir.
| Tempo já aberto |
Foram 3 horas de subida até vermos a torre. A parte final, até chegarmos a um marco grande de pedras, a 1900 metros de altitude, foi muito exigente, mas desde o momento que se vê a torre até realmente se chegar lá é cerca de 1km relativamente suave.
| Fase final até à torre |
Descansámos, tirámos a bela foto da praxe e fomos comprar o merecido pão com presunto e paio (no meu caso) e queijos (no caso do Pita). Comprámos ainda 1/4 de um pão doce (uma delícia!). Guardámos a comida e seguimos caminho em direção à Lagoa do Covão do Quelhas.
| Foto da Praxe |
| Pedaços de gelo em direção à lagoa |
Contávamos almoçar mais tarde, mas dado ser um local bonito e a fome já estar a apertar, decidimos parar e almoçar na zona da Lagoa do Covão do Quelhas.
| Local do almoço |
Aqui decidi que mais valia encurtar o caminho de forma a usufruir mais da serra e para não arriscarmos mesmo andar de noite, visto que neste caso não íamos acabar numa casa. Para além de termos de montar tenda, ainda tínhamos em mente que estávamos na serra da estrela e a elevada altitude e, portanto, mais valia jogar pelo seguro. Em vez de irmos até à Lagoa comprida e passar por um conjunto de outras lagoas até chegarmos ao Covão dos Conchos, decidimos ir diretamente até este último, o que nos poupou 10kms. O percurso que vai dar ao Covão dos Conchos é relativamente movimentado, o que por um lado já seria de esperar. Até deu inveja ver tanta gente com uma mochila pequena às costas😆. Quando lá chegámos pousámos as mochilas e fizemos uns metros em cimas de umas rochas para nos aproximarmos do Covão. Foi nessa altura que reparámos na enorme diferença entre ter ou não mochila. Sentíamos que voávamos por cima das rochas😂. Tirámos umas fotos e voltámos ao caminho.
| Covão dos Conchos |
No ribeiro que vai dar a esta lagoa enchemos duas garrafas de água. Não sei se a água é boa para beber, só provei um pequeno gole, mas pelo menos não sabia mal. De qualquer modo, utilizámos essa água praticamente só para fazer o jantar. Por esquecimento não enchemos as garrafas na torre, mas é algo importante visto não haver nenhuma fonte no caminho, pelo menos que eu saiba. Grande parte dos riachos que lá correm até pode ser que tenham água boa para beber, mas não consigo confirmar. Voltámos a ficar isolados na serra e o nevoeiro voltou a subir. A ideia inicial era ir em direção à Nave da Mestra para no dia seguinte descer para manteigas, mas acabámos por ir na direção do Vale do Rossim de forma a não arriscarmos perder o autocarro no dia seguinte (o caminho assim ficava 10kms mais curto novamente). Já a caminho do Vale do Rossim começámos a procurar lugar para acampar. De vez em quando encontrávamos um, mas decidíamos descer mais um pouco. A dado momento o Pita encontrou um que sempre era maior e eu disse: "vou só dar mais 20 passos para ter a certeza que não paramos mesmo ao lado de um melhor". Bastaram 10 ou 15 e apareceu logo um bem melhor por ser mais abrigado.
Talvez até tivéssemos ficado melhor perto da barragem da Albufeira do Vale do Rossim, mas o nosso objetivo era acampar num local mais isolado. Quanto a acampar na serra da estrela é sempre uma boa opção avisar a GNR, mais concretamente o Grupo de Montanha (961188070). Inicialmente achei que avisando poderiam dizer que não podíamos acampar, mas, pelo contrário, foram muito acessíveis e não houve qualquer problema quanto a isso. Montámos a tenda ainda de dia e fomos para dentro dela para arrumar tudo e jantar. A iguaria foi sopa de cebola com esparguete. Estava muito bom, mas o que também é verdade é que estávamos cheios de fome.
| Jantar |
Características do Percurso:
20,8 kms ; Subida total 1504 metros
Track: https://drive.google.com/file/d/1xb_rPDjmGDxbmeb70YZHi8rc6mlw_yRB/view?usp=sharing
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