terça-feira, 8 de março de 2022

Introdução

O presente Blog tem como objetivo partilhar percursos, paisagens e vivências da caminhada que realizei de 13 a 19 de fevereiro de 2022.

O meu nome é Afonso Silva, tenho 20 anos e sou de Coimbra. De momento estou a estudar Engenharia Aeronáutica na Academia da Força Aérea. Sou ainda atleta de Trail Running.

Espero que este conteúdo seja do vosso agrado e qualquer dúvida ou curiosidade que tenham podem entrar em contacto comigo.

Mail: afonso.aa.silva@gmail.com

Facebook: afonso.silva.528

Instagram: afonso_aa_silva






Planeamento

Já tinha esta ideia há algum tempo, cerca de 1 ano. Simplesmente não tinha tido ainda grande oportunidade para a realizar. O plano inicial era ir sozinho e acampar todas as noites, mas por conselho de algumas pessoas próximas decidi convidar dois amigos (o Pita e o Mendes). Para além disso também optámos por intercalar uma noite numa casa com uma noite na tenda. Procurei alojamento em diversas aldeias, pois o percurso era flexível, mas acabei por ficar a dormir em Serpins (primeira noite), Pardieiros (terceira noite) e Alvoco da Serra (quinta noite). Apesar de não estar planeado, não houve a necessidade de montar tenda no Piódão (quarta noite). Foi a partir dos locais onde tinha dormida planeada que tracei a rota pedestre. Possuo um relógio da Suunto e foi a partir da aplicação da marca que criei a rota. A aplicação é muito prática e fácil de usar e foi super útil, mesmo durante a caminhada.

Aplicação da Suunto

Preparação do material, da alimentação e da mochila

O material pode depender de pessoa para pessoa, contudo há sempre aquele que é essencial. Se o plano for acampar, quer seja uma, duas ou todas as noites, é necessário estar consciente que se tem de transportar uma tenda, a qual representa um peso extra. No nosso caso, como já referido, acampámos duas noites. Eu transportei a tenda propriamente dita e passei as varetas e as estacas para outra pessoa de forma a aliviar um pouco. No nosso caso a tenda e o duplo-teto foi transportado sempre junto e unido de forma a facilitar a montagem da tenda. Utilizámos uma espécie de manta de tecido para colocar debaixo da tenda, sempre ajuda a preservar o chão da tenda e a evitar que esta se estrague. Como fizemos esta caminhada em Fevereiro tivemos de levar um saco-cama de inverno. Recomendo um que tenha pelo menos conforto 0ºC, sobretudo se tencionarem fazer uma noite na Serra da Estrela.

Lista de material (poderão estar em falta alguns):

Roupa - roupa interior, calças, t-shirts, camisola interior/térmica, casaco, impermeável, roupa quente para dormir, gola, gorro, luvas (boné, óculos de sol);

Eletrónico -  Telemóvel, carregador, powerbank, dispositivo com GPS;

Comida - Latas de atum, salsichas, barritas de proteína, bolachas, frutos secos. Pode ser útil também transportar um pequena botija de gás e um tacho para aquecer água, cozer massa, fazer uma sopa, etc;

Segurança - manta térmica, apito;

Higiene - escova e pasta de dentes, toalhitas, papel higiénico, lenços, creme;

Outros - bastões, molas, pensos (normais e para bolhas), ligadura (para o caso de ferida na pé), Voltaren, outra medicação pertinente.


NOTA: O percurso que fizemos passava sobretudo em aldeias e parte das vezes os cafés estavam fechadas (apenas costumam estar abertos no verão), daí ser importante levar alguma comida.

Dia 1 (Miranda do Corvo - Serpins)

O primeiro dia começou cedo. Saímos de casa e dirigimo-nos, ainda de carro, até à Estação Nova, em Coimbra, onde comprámos o bilhete e apanhámos o autocarro para Miranda do Corvo. Não me lembro exatamente da duração da viagem, mas penso que rondou os 45 minutos. Neste primeiro dia não levámos a mochila grande, uma vez que fomos dormir a casa de uma pessoa conhecida que nos levou as mochilas para lá. No caso de se levar logo a mochila com todo o material no primeiro dia, recomendo iniciar a caminhada já na lousã e subir até à aldeia do Candal. Existem diversas opções para subir até lá, mas recomendo subir pelo PR3 LSA Rota da Levada (o mais rápido) ou então pelo PR4 LSA Rota das Quatro Aldeias. É possível ainda ir pelo PR5 Rota dos Serranos, subindo primeiro para a aldeia do Casal Novo, de seguida subir até às Letras (as que dizem LOUSÃ), descer até ao Chiqueiro e entrar no PR4 LSA na aldeia do Talasnal ou então no Vaqueirinho (não recomento visto que não está marcada e da última vez que lá passei - 01MAR2022 - o trilho tinha uma zona que podia suscitar dúvida).

Voltando ao percurso que realizei. Iniciámo-lo por volta das 07h30 e fomos diretamente até ao Santuário de Nossa Senhora da Piedade de Tábuas, local que considero muito bonito, principalmente a escadaria. Aí entrámos por um caminho que estava bastante fechado e tivemos de fazer uma descida em "corta-mato" até um caminho mais abaixo. Para evitar isto recomendo que vão diretamente para Gondramaz pelo PR2 MCV ou então que sigam a percurso do Trail Trilho dos Abutres.

Aldeia de Gondramaz

De seguida passámos por trilhos e estradões que não consigo especificar (daí eu disponibilizar o track), passámos perto do Terreiro das Bruxas e cheguámos às Letras. Sem dúvida que passar pelas Letras vale muito a pena, não só pelas próprias, como pela vista que se tem para a Vila da Lousã. Fomos até ao Chiqueiro, local onde decidimos almoçar e descansar um pouco. Entrámos no PR4 LSA na aldeia seguinte, Talasnal. Nesta aldeida existe um repuxo e, para além disso, junto ao café existe uma fonte com uma torneira de lado. À partida também se pode tirar água dessa torneira. Pouco depois do Talasnal apanhámos um trilho que desce até à levada. Indo por este caminho acaba-se por ver pouco da Levada, mas sem dúvida que é um caminho muito bonito de se fazer. Para fazer a levada completa tem de se descer até ao fundo da aldeia do Talasnal e ir à direita. Ao chegar à levada foi só seguir a rota até ao Candal, sendo que ainda fizemos um pequeno desvio para passar na Cascata do Candal (vale a pena!). No Candal tem uma fonte de água que diz que não é controlada, mas que se pode beber, pelo menos nunca tive qualquer problema e a população da aldeia também bebe dela. Está aldeia tem uma pequena piscina natural no verão. Para pequenas caminhadas considero que é o local ideal para parar, almoçar e refrescar o corpo (talvez só para o menos friorentos😁). Para chegar à aldeia da Cerdeira basta continuar a seguir o PR3 LSA. Todas as aldeias de xisto da Lousã são muito bonitas. A mais conhecida é o Talasnal, mas as mais bonitas, na minha opinião, são o Candal e a Cerdeira. 
Aldeia do Candal

Cascata do Candal


Depois da Cerdeira subimos pelo percurso do Louzan Mini SkyRace, na altura ainda estava com algumas fitas, até chegar a um estradão no cimo da Serra.


Após isso, e pelo que me recordo, descemos sempre por um estradão até ao alcatrão. Saímos da terra batida ao entrar na EN342. Apanhámos um pequeno troço da M554 e de seguida seguimos pela CM1232, passando por Reguengo, Prilhão, Casais Ribeira de Casais até chegar a Serpins. Não sei se em Serpins existe muito alojamento disponível. Sei que tem parque de campismo, mas pode estar fechado na época baixa. Se a intenção for acampar mais vale ficar perto do cimo da Serra poupando as pernas, visto que ir até Serpins é um desvio considerável e sem grande interesse, do meu ponto de vista.
 
Descida para Serpins

Características do Percurso:

39 kms ; Subida total 2105 metros

Track: https://drive.google.com/file/d/1dnNP0_bKUPOCu7lsM2wrI5rbd_tmxvDo/view?usp=sharing

Se começarem na Lousã conseguem poupar facilmente 10 kms

Dia 2 (Serpins - Cabreira)

O segundo dia começou ligeiramente mais tarde. Às 8h15 começámos a andar e para surpresa minha, as pernas estavam frescas. De facto, a mochila faz mais diferença que aquilo que tinha noção (dias mais tarde apercebi-me disso). O inicio foi feito por estrada a bom ritmo, mas rapidamente começámos a subir bem. Foi no cimo da localidade de Valada que entrámos em terra batida e fomos subindo em direção aos sacões (não fomos até lá). A dada altura apanhámos um estradão bastante arranjado que decidimos seguir e que nos levou até à EN 342. Este estradão tem zonas muito bonitas e é relativamente plano, pelo menos no troço em que passámos.


Subida em direção aos sacões

Ao chegar à EN 342 foi onde cometemos um erro no caminho que nos fez perder um tempo considerável. O ideal será fazer 1km por estrada em direção a Gois e depois apanhar um estradão à direita que sobe até à Comareira. Por erro meu, ao chegarmos à EN 342, entrámos logo num estradão que se encontrava à frente. Posso dizer que passado uns minutos metemo-nos num caminho cheio de acácias/mimosas. Foi penoso e difícil de passar, principalmente devido à volumosa mochila e perdemos uns 10 minutos só para fazer 400/500 metros a descer. O que é importante nestas situações é manter um ambiente descontraído e animado, pois não serve de nada começar a pensar demasiado na situação. São situações que acontecem...

Inicio da Subida do caminho errado

Saída do caminho errado para a estrada


A subida para a Comareira faz-se bem, é um estradão inclinado, mas bastante usado (pelo menos passaram dois jipes por nós e um deles era da Câmara Municipal de Gois). Pouco depois de chegarmos à Comareira o ambiente ficou mais pesado. As duas pessoas que me estavam a acompanhar nesta caminhada, o Pita e o Mendes, souberam que tinham tido um contacto Covid de risco dias antes. Aí surge a dúvida se faria sentido continuar a caminhada. A decisão tomada foi continuar a caminhada tendo mais cuidado na distância entre nós e tentar fazer chegar testes covid à localidade onde iamos pernoitar. Só aí tomaria a decisão final.

Vista para a aldeia de Ribeira Cimeira (Não tenho a certeza!!)

Continuámos então o caminho passando pela aldeia de Aigra Nova e depois pela Aigra Velha (o troço entre estas duas aldeias é muito bonito!). O percurso desde a Comareira até à Aigra Velha foi feito pelo PR1 GOI. Na Aigra Velha é possível abastecer de água numa fonte que se encontra no interior da aldeia. De seguida fomos até à aldeia da Pena por um estradão, mas entretanto descobri que era possível fazer este troço continuando a seguir o PR1 GOI, o que acredito que seja uma mais valia, visto que por norma estes percursos são mais bonitos. Da aldeia da Pena seguimos até à Ribeira Cimeira onde apanhámos a CM1378, estrada na qual fizemos um pequeno troço. Subimos até à aldeia dos Cantoneiros e daí até à Folgosa fomos por um caminho florestal, um corta fogo e, mais junto à aldeia, decidimos arriscar ir por um trilho que felizmente se verificou que ia dar à Folgosa. De vez em quando sabe bem arriscar um pouco e seguir a nossa intuição😜. Tenho a certeza que o percurso que fizemos é mais bonito que o que estava planeado, para além de termos poupado uns metros.


Caminho entre os Cantoneiros e a Folgosa


Corta-Fogo que desce até à Folgosa

Folgosa

Ao sair da Folgosa fizemos uns 600 metros por alcatrão até entrarmos num caminho de terra batida. Esse caminho, após um ligeiro engano, levou-nos até uma estrada de alcatrão (M543-1). Dessa estrada tinhamos visão para uns penedos e um rio entre duas encostas, é difícil de descrever, mas era muito bonito e é um local que quero um dia conhecer melhor. Tinha até uma pequena capela completamente isolada no meio daqueles rochedos.

Rochedos e rio

Chegados à Cabreira fomos à Unidade Residencial Sagrada Família, que pertence à Cáritas, onde nos deram 2 autotestes. Felizmente tanto o Pita como o Mendes deram negativo, mas de qualquer modo ainda estava a ponderar qual seria a melhor decisão a tomar. Comemos algumas bolachas e barritas e, por fim, decidi que poderíamos continuar, com algumas precauções. Uma carrinha que traz as crianças da escola em Gois ainda nos trouxe 8 autotestes (2 para devolver à Unidade Residencial e 6 para utilizarmos nos dias seguintes). Fomos então até à praia fluvial da Ponte Velha, local onde montámos a tenda. O sítio é muito bonito e, para além disso, tinha uma zona coberta que deu jeito para cozinhar, trocar de roupa, etc, visto que dentro da tenda o espaço era muito limitado.

Nessa noite dormimos com a tenda arejada, eles dormiram com a cabeça do lado da porta e, para além disso, dormimos de máscara. Para surpresa minha, nenhum de nós teve frio e usar máscara não incomodou, porque sempre aquecia um pouco a cara. Sei que pode parecer exagerado, mas a vontade de continuar a caminhada era grande, mas a de arriscar apanhar Covid era praticamente nula. Assim foi o primeiro dia, que apesar de não ter sido curto, foi dos menos exigentes que tivemos.

Tenda




Características do Percurso:

29 kms ; Subida total 1219 metros

Track: https://drive.google.com/file/d/1YHXHZiRirDrV5R20IJYpu8yF_IdbsHr1/view?usp=sharing

Dia 3 (Cabreira - Pardieiros)

 O terceiro dia começou bem cedo, mas a caminhada apenas às 7h40. Ao dormir em tenda há que ter em atenção que se perde mais tempo para "arrancar" por ter de se desmontar e arrumar a tenda. Apenas andámos uns 100 metros em alcatrão (M543) até apanharmos um estradão inclinado à nossa esquerda: logo no primeiro km do estradão tivemos um desnível de 150 metros. O meu plano era passar para o outro lado do vale, ou seja, do lado da Barroca da Lobeira (nome que aparece no mapa do Strava). Visto que não encontrei o caminho decidimos continuar na mesma margem, de facto não havia grande stress visto que sabia que o principal era subir até ao estradão no cimo da serra e entrar no caminho planeado no Alto do Vieiro.

Vista durante a subida para o estradão no cimo da serra


Após voltar ao caminho planeado, o percurso é muito bonito e fácil de seguir visto ser sempre por estradão. Descemos em direção à Mimosa - Celavisa (nome do Google Maps), local onde está uma rotunda peculiar, visto ser em terra batida e no cima da serra. Nessa rotunda existe uma fonte de água que à partida deverá ser boa para beber.

Vista na Chegada ao estradão no cimo da Serra


Estradão no cimo da Serra


Rotunda com a fonte de água

Seguimos sempre pelo cimo da serra passando no pico Gatucha (963m) e na Catraia (870m), local onde almoçámos. Nesta refeição aproveitámos para comer o pão que tínhamos com atum. Foi um almoço rápido e ao mesmo tempo libertámos umas gramas da mochila (pouco a pouco acaba por ir tendo o seu efeito). Após andarmos mais um pouco passámos pela casa da Guarda (Selada das Eiras no Google Maps) e daí descemos para a aldeia de Salgueiro por um trilho que fez parte da prova virtual "Desafio Picos do Açor". Existem outros caminhos alternativos e que não envolvem tanto desnível, o que em algumas situações poderá ser conveniente.


Casa da Guarda


Ao ir pela aldeia do Salgueiro implica fazer um desnível considerável, mas deixem-me que vos diga que o inicio da subida desta aldeia até ao Posto de Vigia de Monte Redondo é muito bonita. Passámos por uma zona de moinhos que na minha opinião foi a parte mais bonita de todo o percurso, não por ter uma vista grandiosa, mas por todos os pequenos detalhes que nos iam surgindo à frente. Na aldeia do Salgueiro é possível abastecer água numa fonte junto ao largo principal. Não é fácil encontrar a subida para o Posto de Vigia, sendo que posso dizer que tive muita sorte. Vou contar, portanto, este pequeno episódio. Eu não estava a conseguir encontrar a subida, mas felizmente sabia quem estava por trás daquele percurso, ou seja, por trás do "Desafio Picos do Açor". Dado ter pouca rede, tive de enviar uma mensagem ao meu pai a pedir que procurasse na internet "Evolução Vertical" (empresa dos organizadores da prova). Mais uma vez tive sorte por ter rede suficiente para fazer este pedido e também por ter este conhecimento sobre a empresa. Lá consegui obter o número da empresa e entrar em contacto com o David Gouveia que me deu uma ajuda crucial para seguir então o caminho. Para encontrar o inicio da subida é fazer os seguintes passos: 1. Chegar ao tal largo da aldeia onde está a fonte, 2. Seguir em frente para o interior da aldeia, 3. Ver o outro lado da aldeia e descer em direção a uma pequena ponte, 4. Já do outro lado da aldeia, logo na primeira casa existe uma pequeno caminho que leva então ao inicio da subida. Parece que se entra na propriedade da primeira casa, mas na verdade não faz parte.


Início da subida na parte dos moinhos


A subida é longa, mas a vista do Posto de Vigia é fantástica. Descansámos um pouco, comemos uma barrita e começámos então a descer, visto que já se fazia tarde (Já deveriam ser umas 17h20/17h30).

Torre de Vigia de Monte Redondo


Junto à Torre de Vigia

Descemos em direção ao Sardal, aldeia a que chegámos ainda de dia, mas faltava ainda fazer o troço final entre esta aldeia e os Pardieiros. Para tal basta seguir as marcações do PR1 AGN. Já fizemos grande parte deste caminho, que parecia ser bastante bonito, durante a noite. Chegados à aldeia ainda conseguimos receber um pacote de arroz, por simpatia de um habitante e ficámos hospedados na casa Toca da Sede (nome no Airbnb). Tomámos um banho quente e jantámos a ver o Sporting a levar uma abada do City. De facto, é preciso ter umas noites menos confortáveis para depois valorizarmos o conforto de uma casa 😆.

Últimos metros a chegar aos Pardieiros já de noite


Características do Percurso:

29,1 kms ; Subida total 1654 metros

Track: https://drive.google.com/file/d/1raBpaIlq6IrKzOCWlNUUPdUK-IXWg13H/view?usp=sharing



Dia 4 (Pardieiros - Piódão)

Saímos de Pardieiros às 7h35 em direção à Mata da Margaraça. O conforto da casa pedia que ficássemos mais um pouco por lá, mas lá tivemos de tirar o rabo da cama e arrumar a casa e as nossas coisas. O início começou também com uma subida inclinada (novamente 150 metros de desnível no primeiro km). Esta mata, devido aos fogos (talvez de 2017?) estava toda queimada e os caminhos que pareciam bons acabavam,  o que nos levou a fazer duas vezes um corta-mato encosta acima, sendo que o primeira tinha uma distância de quase 200 metros com uma inclinação de uns 40%.

Assim sendo, recomendo subir logo para a estrada de terra que liga diretamente o Enxudro à Relva Velha. Nesta aldeia tentámos encontrar alguém para pedir uma ligadura, visto que o Mendes estava já com uma bela ferida no calcanhar devido às botas, mas não conseguimos encontrar ninguém. Seguimos caminho, subindo e depois descendo, sempre por estrada, em direção a Moura da Serra. Após o cruzamento com a N344 e junto à Capela N. Sra Conceição existe um trilho que permite poupar uns 700 metros. Nesta aldeia perguntámos por um café, mas este só estava aberto no verão. Assim sendo, comemos uma barrita, aliviámos um pouco os ombros e seguimos viagem subindo por um caminho de bois que segue quase que paralelo à Rua Monsenhor Cónego António Pereira de Almeida.


Aldeia de Relva Velha



Aldeia de Moura da Serra


Ainda estivemos um pouco à conversa com um casal muito simpático que estava a trabalhar na sua horta. Esta é a parte boa de passar por estas aldeias escondidas. No cimo da serra, onde se encontram uns ecopontos, fomos por um caminho de terra que sobe ligeiramente.

Início do caminho após os ecopontos


Continuação do caminho


É um caminho bom para colocar algum ritmo, contudo no km 11,8 deveríamos ter descido, mas o GPS não me mandava por lá. Acabámos por descer pelas linhas de alta tensão onde em tempos já deve ter existido um caminho, mas uma vez que a vegetação é baixa ainda deu para passar com alguma facilidade.


Descida pelas linhas de alta tensão


Continuámos então a descer até apanhar a estrada de alcatrão que nos levou a Foz de Moura. Enchemos a água numa fonte (importante porque na subida seguinte, para o/a Colcurinho/Capela da Senhora das Necessidades, não há onde abastecer, pelo menos que eu saiba). Passámos pelo Agroal e em Pomares fomos ao Mini Mercado Glória onde abastecemos de comida e comprámos o almoço. Devo dizer que foi um almoço generoso e no qual despendemos um tempo considerável😅. O Pita e o Mendes fizeram novamente um teste Covid que, felizmente, deram novamente negativo.

Paisagem já no alcatrão na estrada para Foz de Moura


Saímos então desta aldeia sabendo que seria uma subida longa até ao Colcurinho, mas mesmo assim fizemos uma pequena paragem logo no baloiço de Pomares. 

Baloiço da Lomba, Pomares


Do baloiço até ao Colcurinho fizemos a subida sem grandes paragens. Infelizmente o dia estava muito fechado e não conseguimos ter vista lá em cima a não ser para o nevoeiro cerrado😆. Nem a bicicleta do Colcurinho conseguimos ver, mas a verdade é que também nenhum de nós se lembrou de a procurar.

No cimo do Colcurinho

Saímos do Colcurinho já conscientes de que íamos fazer grande parte da descida já de noite, mas pelo menos íamos com um incentivo. Inicialmente estava previsto acamparmos no Miradouro da Pó Cabreiro (não sabia se seria um sitio bom, mas depois ao passar lá deu para confirmar que era um bom sitio para montar a tenda), contudo o Presidente da Junta de Freguesia do Piódão cedeu-nos lá um local para pernoitar. O local está a ser renovado, não tem eletricidade, mas tem água. Era o suficiente para nós e, apesar de dormirmos na mesma no chão, sempre era mais abrigado e não tínhamos de estar a montar e desmontar tenda. A descida do Colcurinho para o Piódão foi inicialmente pelo percurso do Colcurinho SkyRace, num caminho que permite evitar ir às curvas e contracurvas pelo alcatrão. Mais à frente na descida apanhámos o PR3 AGN.
Descida para o Piódão, já no PR3 AGN

Aos poucos fomo-nos aproximando das luzes no fundo do vale e, mesmo no inicio da aldeia, fomos presenteados com uma aldeia do xisto iluminada, é sempre magnifico de ver!

Chegada ao Piódão

Deixámos as mochilas no local onde íamos dormir e fomos até ao Restaurante "O Fontinha" onde nos deliciámos com a saborosa comida que nos foi servida.

Restaurante "O Fontinha"


Estava mais um dia feito. Sem contar com o primeiro, que foi feito sem a mochila grande, este foi o mais longo.
Devido a feridas nos pés, o Mendes decidiu "desistir" desta jornada. Por sorte uma senhora ia sair para Oliveira do Hospital no dia seguinte às 10h00 e, assim, foi possível arranjar-lhe boleia.



Características do Percurso:

33,3 kms ; Subida total 1728 metros

Track: https://drive.google.com/file/d/1sD0PYYZlmqk8lGo24lXxYyese4z3alrr/view?usp=sharing

Dia 5 (Piódão - Alvoco da Serra)

O quinto dia começou mais tarde. O Mendes só tinha boleia às 10h00 e, portanto, eu e o Pita saímos mais tarde para ele não ficar tanto tempo sozinho. Começámos a andar por volta das 9h10 em direção a Foz d'Égua.

Vista do local onde pernoitámos


Piódão


Devo dizer que os primeiros quilómetros deste dia custaram-me imenso, provavelmente já devido ao acumulado de quilómetros e altimetria. De facto já levava 130kms e 6750 metros de subida em apenas 4 dias.

Antes de sair do Piódão


Até Foz d'Égua o percurso é exigente, mas muito bonito. Para além disso está marcado, é o PR2. O PR2 é mais exigente e vai pela margem esquerda do rio, no sentido Piódão-Foz de Égua. O PR2.1 é mais simples e segue pela encosta do lado direito. Nós fomos pela margem esquerda, mas para ser sincero também não sabia da outra alternativa.

Ponte no PR2


A aldeia de Foz de Égua é muito bonita, só é pena a ponte estar fechada, talvez por falta de manutenção, não sei. 

Foz d'Égua

Ponte de Foz d'Égua


Continuámos caminho em direção a Chãs d'Égua, troço que ainda faz parte do PR2. É um percurso exigente e com muita subida. Acredito que sem mochila se fizesse bem, mas com aqueles talvez 12kgs às costas a coisa fica sempre mais complicada (inicialmente pesava 15kgs dos quais cerca de 3kgs deviam ser da tenda).

Em Chãs d'Égua decidimos descansar um pouco e comer algo, pois avizinhava-se uma subida longa até ao cimo do Gondufo (5,5kms com 650 metros de subida, até aos 1342 metros de altitude). Era uma subida aos S's. A dada altura decidi contar o número de curvas que faltavam e fomos fazendo contagem decrescente de forma a incentivar-nos a manter um ritmo forte. Demorámos cerca de 1h30 para fazer esta subida, ou seja, a um ritmo perto de 4kms/h, o que, a meu ver, foi um bom esforço😀. A chegada à crista é fantástica, principalmente devido à vista privilegiada para o Pico Cebola (1418 metros). Lá em cima ainda tentámos encontrar a nascente do rio Ceira, mas com o receio de ainda ser um desvio considerável e com a barriga a pedir comida decidimos abandonar essa busca. O almoço foi novamente longo e a preguiça de seguir caminho era elevada, mas pelo menos íamos ligeiramente mais leves😂.


Vista para o Pico Cebola na chegada à crista

A descida foi longa e dura. Foram mais de 2 horas praticamente sempre a descer até chegarmos a Teixeira de Baixo onde nos abastecemos de água e comemos um pequeno reforço.


Descida do Gondufo para Teixeira de Baixo


Aqui decidimos que íamos impor um ritmo forte até Alvoco, faltavam uns 8kms e 400 metros de subida. Saímos de Teixeira de Baixo por volta das 17h00, hora a que as senhoras saem das suas hortas, visto que nos cruzamos com algumas. O início do percurso foi pelo PR6 SEI Rota da Missa e, já perto do Aguincho, seguimos o PR13 SEI Rota da Ribeira de Alvoco.

Saída de Teixeira na parte das hortas


Zona final das hortas


Placas no PR13


Com a preguiça de tirar os frontais, os últimos 20 minutos foram feitos com a ajuda da lanterna do telemóvel do Pita. Chegámos a Alvoco da Serra às 19h00.

Chegada a Alvoco da Serra


O dia foi mais longo 2kms que o previsto. De facto todos os dias fazíamos mais pelo menos 1km que o planeado, devido a enganos ou então simplesmente porque a aplicação me dava um valor ligeiramente mais favorável. Fomos diretos a um café para comer e beber algo e de seguida fomos ao mini mercado para fazer umas compras. Ficámos hospedados na Casa das Lages e tivemos a sorte imensa da dona da casa nos ter oferecida um panelão de sopa. Deu para 3 pratos a cada um!!!😂😋


Panela de sopa de feijão verde


Arrumámos tudo e preparámos parte das coisas para o dia seguinte, de forma a facilitar a saída de manhã.


Características do Percurso:

29,2 kms ; Subida total 1394 metros

Track: https://drive.google.com/file/d/1Qiz6nhJcSvexoxhlQeHRE4JgzMHxSHgq/view?usp=sharing

Dia 6 (Alvoco da Serra- Vale do Rossim)

O segundo dia começou novamente cedo. Devo dizer que acordei a sentir-me mesmo cansado. As pernas já começavam a queixar-se. Inicialmente tínhamos planeado sair às 7h00, mas acabámos por sair às 7h30 e fomos diretos ao início do KV (quilómetro vertical). O trilho está todo marcado de Alvoco da Serra até à torre, é o PR14 SEI Rota do Pastoreio, mas sem GPS pode ser confuso, principalmente no início. Existem dois caminhos diferentes para iniciar a subida, sendo que nós optámos pelo que vai do lado esquerdo.


Local onde os dois caminhos se juntam

Já estava consciente de que ia ser uma subida longa, até porque no verão passado, ou seja, em 2021, já tinha feito esta subida. Apesar disso admito que me pareceu novamente interminável. Até digo mais, desta vez ainda me pareceu mais longa, provavelmente pelo facto da outra vez ter ido em treino de corrida e ter demorado menos tempo.

Durante a subida

Passo a passo fomos subindo e o que no início parecia que ia ser um desastre em termos de paisagens mudou completamente. No início o nevoeiro estava cerrado e começámos a pensar que não iríamos ter qualquer vista, mas ao olhar para cima começou a parecer que se viam uns rasgos de céu azul. Aos poucos e poucos o tempo foi abrindo até que a vista ficou espetacular, o que é sempre um incentivo para continuar a subir.


Tempo já aberto


Foram 3 horas de subida até vermos a torre. A parte final, até chegarmos a um marco grande de pedras, a 1900 metros de altitude, foi muito exigente, mas desde o momento que se vê a torre até realmente se chegar lá é cerca de 1km relativamente suave.


Fase final até à torre

Descansámos, tirámos a bela foto da praxe e fomos comprar o merecido pão com presunto e paio (no meu caso) e queijos (no caso do Pita). Comprámos ainda 1/4 de um pão doce (uma delícia!). Guardámos a comida e seguimos caminho em direção à Lagoa do Covão do Quelhas.

Foto da Praxe

O caminho até lá não tem propriamente um trilho bem definido, mas é bonito, e o facto de ainda termos apanhado partes com gelo ainda o tornou melhor.

Pedaços de gelo em direção à lagoa

Contávamos almoçar mais tarde, mas dado ser um local bonito e a fome já estar a apertar, decidimos parar e almoçar na zona da Lagoa do Covão do Quelhas.


Local do almoço

Aqui decidi que mais valia encurtar o caminho de forma a usufruir mais da serra e para não arriscarmos mesmo andar de noite, visto que neste caso não íamos acabar numa casa. Para além de termos de montar tenda, ainda tínhamos em mente que estávamos na serra da estrela e a elevada altitude e, portanto, mais valia jogar pelo seguro. Em vez de irmos até à Lagoa comprida e passar por um conjunto de outras lagoas até chegarmos ao Covão dos Conchos, decidimos ir diretamente até este último, o que nos poupou 10kms. O percurso que vai dar ao Covão dos Conchos é relativamente movimentado, o que por um lado já seria de esperar. Até deu inveja ver tanta gente com uma mochila pequena às costas😆. Quando lá chegámos pousámos as mochilas e fizemos uns metros em cimas de umas rochas para nos aproximarmos do Covão. Foi nessa altura que reparámos na enorme diferença entre ter ou não mochila. Sentíamos que voávamos por cima das rochas😂. Tirámos umas fotos e voltámos ao  caminho.


Covão dos Conchos

No ribeiro que vai dar a esta lagoa enchemos duas garrafas de água. Não sei se a água é boa para beber, só provei um pequeno gole, mas pelo menos não sabia mal. De qualquer modo, utilizámos essa água praticamente só para fazer o jantar. Por esquecimento não enchemos as garrafas na torre, mas é algo importante visto não haver nenhuma fonte no caminho, pelo menos que eu saiba. Grande parte dos riachos que lá correm até pode ser que tenham água boa para beber, mas não consigo confirmar. Voltámos a ficar isolados na serra e o nevoeiro voltou a subir. A ideia inicial era ir em direção à Nave da Mestra para no dia seguinte descer para manteigas, mas acabámos por ir na direção do Vale do Rossim de forma a não arriscarmos perder o autocarro no dia seguinte (o caminho assim ficava 10kms mais curto novamente). Já a caminho do Vale do Rossim começámos a procurar lugar para acampar. De vez em quando encontrávamos um, mas decidíamos descer mais um pouco. A dado momento o Pita encontrou um que sempre era maior e eu disse: "vou só dar mais 20 passos para ter a certeza que não paramos mesmo ao lado de um melhor". Bastaram 10 ou 15 e apareceu logo um bem melhor por ser mais abrigado.



Local da pernoita (1500 metros de altitude)

Talvez até tivéssemos ficado melhor perto da barragem da Albufeira do Vale do Rossim, mas o nosso objetivo era acampar num local mais isolado. Quanto a acampar na serra da estrela é sempre uma boa opção avisar a GNR, mais concretamente o Grupo de Montanha (961188070). Inicialmente achei que avisando poderiam dizer que não podíamos acampar, mas, pelo contrário, foram muito acessíveis e não houve qualquer problema quanto a isso. Montámos a tenda ainda de dia e fomos para dentro dela para arrumar tudo e jantar. A iguaria foi sopa de cebola com esparguete. Estava muito bom, mas o que também é verdade é que estávamos cheios de fome.


Jantar


Tivemos ainda direito a sobremesa, o bolo doce que comprámos na torre. Visto que parámos cedo e fizemos tudo relativamente cedo também, lá para as 21h30/22h00 já estávamos a dormir. Vesti 2 pares de meias, umas leggings e umas calças, 4 camadas de roupa em cima, luvas gorro e gola. Só para ter a certeza que não passava frio😅.


Características do Percurso:

20,8 kms ; Subida total 1504 metros

Track: https://drive.google.com/file/d/1xb_rPDjmGDxbmeb70YZHi8rc6mlw_yRB/view?usp=sharing


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Introdução

O presente Blog tem como objetivo partilhar percursos, paisagens e vivências da caminhada que realizei de 13 a 19 de fevereiro de 2022. O me...